segunda-feira, 9 de março de 2026

POSSE DO NOVO PR - Uma crítica construtiva sobre o desempenho da comunicação social

Tendo seguido com fervor todas as reportagens dos canais públicos, privados e mistos sobre a posse do novo Presidente da República e a despedida do anterior, e preocupado com o bom nome e proficiência dos nossos “media”, tenho a lamentar alguns aspectos menos positivos da cobertura noticiosa.

Assinalaria, para começar, a lacuna na visualização de alguns metros da deslocação a pé do recém-investido até à Assembleia da República. Posso ter descurado o ecrã enquanto lavava a loiça do almoço, tarefa que não confio ao pessoal da minha casa civil, mas tive a oportunidade de rever posteriormente o referido trajecto, sem interrupção, e a omissão lá estava – maneira de dizer algo atabalhoada, ou não fosse próprio da omissão não estar.

Estranhei também que tivessem mostrado o Sr. Prof. Aníbal Cavaco Silva atrás de um matulão de dois metros, na fila para dar um aperto de mão ao Presidente que mereceu o seu voto convicto (o meu foi só de conveniência). O Prof. parecia o Dr. Marques Mendes, tal era o tamanho do matulão, mas não parecia nada arreliado – ele que geralmente tem aquele ar de quem nunca tem dúvidas, etc., e a quem ninguém paga e todos devem. Parêntesis necessário: em vez do Dr. Marques Mendes, nada obstaria a que eu dissesse “mais parecia eu”, mas, sendo menos conhecido do que o referido ex-candidato, a piada não surtiria efeito.

Outra coisa: não se viu uma única câmara de TV a acompanhar o novo PR a uma casa-de-banho a fim de fazer um xixi, nem antes nem depois da sessão solene na AR ou da sua entrada na nova residência oficial. Como foram horas de acompanhamento por toda a imprensa, ou o Sr. PR goza de uma capacidade de retenção invejável ou a comunicação social perdeu, por falta de comparência, uma oportunidade única de mostrar ao país como urina um PR. Por acaso, aconteceu cair um aguaceiro inesperado, ainda que anunciado pelo IPMA (em previsões lamentavelmente falíveis desde que acabaram as grandes tempestades), o que me obrigou a ir lá fora recolher a roupa pendurada nos arames e que já estava quase seca. Agora, lá vou ter de esperar mais um dia ou dois para a passar a ferro, tarefa que também não confio ao pessoal da casa civil, e pode muito bem ter acontecido ele ter ido às toilettes nessa exacta altura. Uma seca.

Os cumprimentadores estiveram todos muito bem a cumprimentar. Até os daquela agremiação especializada em dar vivacidade à Casa chamada da Democracia (e de inegável tolerância, de resto), em mofas simpáticas dirigidas a colegas do sexo feminino ou “racializadas”, em alteração do curso de objectos paralelepipédicos em zonas aeroportuárias, em maroteiras inocentes com menores de idade e na afixação de cartazes apelando ao cumprimento de obrigações fiscais por etnias distintas da caucasiana. Estiveram todos à altura das suas altas funções.

Mais logo, vou ver o terceiro episódio da George Sand, na 2. Nem que chova.

Viva a República!

 

 

2 comentários:

  1. Humor de fino recorte. Gostei de ler que não confia na casa civil para lavar a loiça.

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    1. Não sei quem é, mas obrigado, à mesma. Este "à mesma", significando "mesmo assim, seja como for, apesar disso", logo, com um valor mais ou menos concessivo, era muito usado no Porto, quando eu era miúdo. Não sei se ainda se diz, mas aí vai, à mesma.

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