Espaço destinado a reflexões (geralmente) inspiradas na actualidade e na Literatura
terça-feira, 30 de março de 2010
Ópera no mercado de Valencia
Ópera no mercado de Valencia
quinta-feira, 25 de março de 2010
Arbeit macht frei
Eu andava, desde há dias, amargurado. Primeiro, tinha sido a Ministra do Trabalho, ex-sindicalista da UGT, a referir-se às 18000 ofertas de trabalho por preencher nos Centros de Emprego quando, simultaneamente, temos para cima de meio milhão de desempregados (na realidade, mais de 700 mil). Depois, há dois ou três dias, uma reportagem de um canal de televisão mostrava donos de quintas - não me lembro onde - dispostos a empregar caseiros que aceitassem cultivar-lhes as propriedades, recebendo em troca habitação e boa parte das colheitas. Queixavam-se de que não aparecia ninguém interessado, apesar das dificuldades de que tanta gente se queixa.
A minha amargura ia já ao ponto de encarar a hipótese de aderir ao CDS - partido que sempre verbera a malandragem que ganha balúrdios em rendimento mínimo de inserção sem mexer numa palha - ou mesmo ao PS - partido que, segundo o Engenheiro Cravinho, recebe lições de esquerda do CDS e que, por conseguinte, me parece estar actualmente mais bem posicionado para congregar as vontades e os esforços de quantos se empenham na salvação da pátria das garras dos abutres que a levam à ruína, quais sejam os beneficiários do rendimento de inserção, do subsídio de desemprego e outros que tais.
Só que, quando a tristeza me invade, sentindo-me terminantemente incapaz de cantar o fado, opto por um motor de pesquisa de questões laborais, sociais e outras que tais, cujo se chama Avante! Ora o que o Avante! desta semana diz, citando a CGTP, é que "três quartos das ofertas existentes nos Centros de Emprego (75%) correspondem a trabalhos precários e em regime temporário», onde se incluem as tais «18 mil ofertas de trabalho», na sua maioria esmagadora publicadas por agências de trabalho temporário." E depois? - retorquir-se-á. Depois, acontece que a remuneração desses empregos é da ordem do salário mínimo (475€), quando o valor médio do subsídio de desemprego é de 520€, e, pior ainda, "são empregos precários (maioritariamente trabalhos temporários ou a termo certo, pelo que aceitá-los e perdê-los de seguida é ficar no desemprego e sem subsídio) e acarretam o «preço da reincidência», ou seja, ao aceitar-se um emprego de valor inferior ao anterior, isso terá consequências na situação de desemprego seguinte, que passa a ser subsidiada com uma percentagem menor, calculada sobre o último salário."
Resumindo: um desempregado que aceite uma destas irrecusáveis ofertas de trabalho, não morrendo do mal - apesar de tudo -, pode muito bem vir a morrer da cura. O que, aliás, parece ser o objectivo da desregulamentação (mais uma) que o Governo da Dr.ª André quer, neste domínio, promover através do PEC.
Ah! Quanto à reportagem das quintas, devo acrescentar, em abono da verdade, que, logo a seguir, o Presidente da Junta - creio - explicava que era necessário prever a atribuição de uma verba a quem se dispusesse a ir trabalhar para as tais quintas, uma vez que as colheitas não ocorrem no dia seguinte ao da sementeira e, entretanto, o caseiro e família teriam de comer.
A minha amargura lá se desvaneceu. E lá perdeu o CDS um potencial militante.
Arbeit macht frei
Eu andava, desde há dias, amargurado. Primeiro, tinha sido a Ministra do Trabalho, ex-sindicalista da UGT, a referir-se às 18000 ofertas de trabalho por preencher nos Centros de Emprego quando, simultaneamente, temos para cima de meio milhão de desempregados (na realidade, mais de 700 mil). Depois, há dois ou três dias, uma reportagem de um canal de televisão mostrava donos de quintas - não me lembro onde - dispostos a empregar caseiros que aceitassem cultivar-lhes as propriedades, recebendo em troca habitação e boa parte das colheitas. Queixavam-se de que não aparecia ninguém interessado, apesar das dificuldades de que tanta gente se queixa.
A minha amargura ia já ao ponto de encarar a hipótese de aderir ao CDS - partido que sempre verbera a malandragem que ganha balúrdios em rendimento mínimo de inserção sem mexer numa palha - ou mesmo ao PS - partido que, segundo o Engenheiro Cravinho, recebe lições de esquerda do CDS e que, por conseguinte, me parece estar actualmente mais bem posicionado para congregar as vontades e os esforços de quantos se empenham na salvação da pátria das garras dos abutres que a levam à ruína, quais sejam os beneficiários do rendimento de inserção, do subsídio de desemprego e outros que tais.
Só que, quando a tristeza me invade, sentindo-me terminantemente incapaz de cantar o fado, opto por um motor de pesquisa de questões laborais, sociais e outras que tais, cujo se chama Avante! Ora o que o Avante! desta semana diz, citando a CGTP, é que "três quartos das ofertas existentes nos Centros de Emprego (75%) correspondem a trabalhos precários e em regime temporário», onde se incluem as tais «18 mil ofertas de trabalho», na sua maioria esmagadora publicadas por agências de trabalho temporário." E depois? - retorquir-se-á. Depois, acontece que a remuneração desses empregos é da ordem do salário mínimo (475€), quando o valor médio do subsídio de desemprego é de 520€, e, pior ainda, "são empregos precários (maioritariamente trabalhos temporários ou a termo certo, pelo que aceitá-los e perdê-los de seguida é ficar no desemprego e sem subsídio) e acarretam o «preço da reincidência», ou seja, ao aceitar-se um emprego de valor inferior ao anterior, isso terá consequências na situação de desemprego seguinte, que passa a ser subsidiada com uma percentagem menor, calculada sobre o último salário."
Resumindo: um desempregado que aceite uma destas irrecusáveis ofertas de trabalho, não morrendo do mal - apesar de tudo -, pode muito bem vir a morrer da cura. O que, aliás, parece ser o objectivo da desregulamentação (mais uma) que o Governo da Dr.ª André quer, neste domínio, promover através do PEC.
Ah! Quanto à reportagem das quintas, devo acrescentar, em abono da verdade, que, logo a seguir, o Presidente da Junta - creio - explicava que era necessário prever a atribuição de uma verba a quem se dispusesse a ir trabalhar para as tais quintas, uma vez que as colheitas não ocorrem no dia seguinte ao da sementeira e, entretanto, o caseiro e família teriam de comer.
A minha amargura lá se desvaneceu. E lá perdeu o CDS um potencial militante.
A Pontuação em José Saramago
Esta, também adaptada para o blogue, é sobre um aspecto ainda hoje controverso da escrita de Saramago.
A dada altura do Manual de Pintura e Caligrafia, o escritor transcreve uma página do Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, esclarecendo de seguida: "Outras vezes tenho copiado textos desde que comecei a escrever, e por diferentes razões, para apoiar um dito meu, para opor, ou porque não seria capaz de dizer melhor. Agora o fiz para adestrar a mão, como se estivesse a copiar um quadro. Transcrevendo, copiando, aprendo a contar uma vida, de mais na primeira pessoa, e tento compreender, desta maneira, a arte de romper o véu que são as palavras e de dispor as luzes que as palavras são."
Sugestões ao leitor (virtual e improvável) com propensão para a criação literária:
1. Experimente copiar e imitar Saramago. É provável que esse treino o conduza rapidamente ao fascínio de uma escrita surpreendentemente produtiva.
2. Antes disso, porém, leia o excerto seguinte do seu romance Ensaio sobre a Cegueira e a "correcção" que foi feita à pontuação característica do escritor.
3. Verifique que a pontuação de Saramago faz com que o texto original se leia de forma mais fluente, mais corredia, e até mais rápida.
4. Se dispuser de um texto seu, de preferência dialogado, tente pontuá-lo à maneira de José Saramago.
5. Repita a experiência logo que se sinta inspirado para escrever. Verá que a sua escrita será mais produtiva.
Excerto de Ensaio sobre a Cegueira
Contra o costume, os corredores estavam desimpedidos, em geral não era assim, quando se saía das camaratas não se fazia mais que tropeçar, esbarrar e cair, os agredidos praguejavam, largavam palavrões grosseiros, os agressores respondiam no mesmo tom, porém ninguém dava importância, uma pessoa tem de desabafar de qualquer maneira, mormente se está cego. À frente deles havia um rumor de passos e de vozes, deviam de ser os emissários doutra camarata que iam à mesma obrigação. Que situação a nossa, senhor doutor, disse o primeiro cego, já não nos bastava estarmos cegos, viemos cair nas garras de uns cegos ladrões, até parece sina minha, primeiro foi o do carro, agora estes que roubam a comida, e ainda por cima de pistola, A diferença é essa, a arma, Mas os cartuchos não duram sempre, Nada dura sempre, contudo, neste caso, talvez fosse de desejar que sim, Porquê, Se os cartuchos vierem a acabar, será porque alguém os disparou, e nós já temos mortos de sobra, Estamos numa situação insustentável, É insustentável desde que aqui entrámos, e apesar disso vamo-nos aguentando, O senhor doutor é optimista, Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver, Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau, para o mal, Talvez tenha razão, disse o médico, e depois, como se estivesse a falar consigo mesmo, Alguma coisa vai ter de suceder aqui, conclusão esta que comporta uma certa contradição, ou há afinal algo pior do que isto, ou daqui para diante tudo vai melhorar, ainda que pela amostra o não pareça.
Ensaio Sobre a Cegueira, p.144
Excerto "corrigido"
Contra o costume, os corredores estavam desimpedidos. Em geral, não era assim. Quando se saía das camaratas, não se fazia mais que tropeçar, esbarrar e cair. Os agredidos praguejavam, largavam palavrões grosseiros; os agressores respondiam no mesmo tom. Porém, ninguém dava importância. Uma pessoa tem de desabafar de qualquer maneira, mormente se está cego. À frente deles, havia um rumor de passos e de vozes. Deviam de ser os emissários doutra camarata, que iam à mesma obrigação.
- Que situação a nossa, senhor doutor, disse. o primeiro cego. Já não nos bastava estarmos cegos, viemos cair nas garras de uns cegos ladrões. Até parece sina minha. Primeiro, foi o do carro, agora, estes, que roubam a comida, e ainda por cima de pistola.
- A diferença é essa, a arma.
- Mas os cartuchos não duram sempre.
- Nada dura sempre. Contudo, neste caso, talvez fosse de desejar que sim.
- Porquê? - Se os cartuchos vierem a acabar, será porque alguém os disparou, e nós já temos mortos de sobra.
- Estamos numa situação insustentável!
- É insustentável desde que aqui entrámos, e apesar disso vamo-nos aguentando.
- O senhor doutor é optimista...
- Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver.
- Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau, para o mal.
- Talvez tenha razão, disse o médico.
E depois, como se estivesse a falar consigo mesmo:
«Alguma coisa vai ter de suceder aqui», conclusão esta que comporta uma certa contradição - ou há afinal algo pior do que isto, ou daqui para diante tudo vai melhorar, ainda que pela amostra o não pareça.
A Pontuação em José Saramago
Esta, também adaptada para o blogue, é sobre um aspecto ainda hoje controverso da escrita de Saramago.
A dada altura do Manual de Pintura e Caligrafia, o escritor transcreve uma página do Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, esclarecendo de seguida: "Outras vezes tenho copiado textos desde que comecei a escrever, e por diferentes razões, para apoiar um dito meu, para opor, ou porque não seria capaz de dizer melhor. Agora o fiz para adestrar a mão, como se estivesse a copiar um quadro. Transcrevendo, copiando, aprendo a contar uma vida, de mais na primeira pessoa, e tento compreender, desta maneira, a arte de romper o véu que são as palavras e de dispor as luzes que as palavras são."
Sugestões ao leitor (virtual e improvável) com propensão para a criação literária:
1. Experimente copiar e imitar Saramago. É provável que esse treino o conduza rapidamente ao fascínio de uma escrita surpreendentemente produtiva.
2. Antes disso, porém, leia o excerto seguinte do seu romance Ensaio sobre a Cegueira e a "correcção" que foi feita à pontuação característica do escritor.
3. Verifique que a pontuação de Saramago faz com que o texto original se leia de forma mais fluente, mais corredia, e até mais rápida.
4. Se dispuser de um texto seu, de preferência dialogado, tente pontuá-lo à maneira de José Saramago.
5. Repita a experiência logo que se sinta inspirado para escrever. Verá que a sua escrita será mais produtiva.
Excerto de Ensaio sobre a Cegueira
Contra o costume, os corredores estavam desimpedidos, em geral não era assim, quando se saía das camaratas não se fazia mais que tropeçar, esbarrar e cair, os agredidos praguejavam, largavam palavrões grosseiros, os agressores respondiam no mesmo tom, porém ninguém dava importância, uma pessoa tem de desabafar de qualquer maneira, mormente se está cego. À frente deles havia um rumor de passos e de vozes, deviam de ser os emissários doutra camarata que iam à mesma obrigação. Que situação a nossa, senhor doutor, disse o primeiro cego, já não nos bastava estarmos cegos, viemos cair nas garras de uns cegos ladrões, até parece sina minha, primeiro foi o do carro, agora estes que roubam a comida, e ainda por cima de pistola, A diferença é essa, a arma, Mas os cartuchos não duram sempre, Nada dura sempre, contudo, neste caso, talvez fosse de desejar que sim, Porquê, Se os cartuchos vierem a acabar, será porque alguém os disparou, e nós já temos mortos de sobra, Estamos numa situação insustentável, É insustentável desde que aqui entrámos, e apesar disso vamo-nos aguentando, O senhor doutor é optimista, Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver, Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau, para o mal, Talvez tenha razão, disse o médico, e depois, como se estivesse a falar consigo mesmo, Alguma coisa vai ter de suceder aqui, conclusão esta que comporta uma certa contradição, ou há afinal algo pior do que isto, ou daqui para diante tudo vai melhorar, ainda que pela amostra o não pareça.
Ensaio Sobre a Cegueira, p.144
Excerto "corrigido"
Contra o costume, os corredores estavam desimpedidos. Em geral, não era assim. Quando se saía das camaratas, não se fazia mais que tropeçar, esbarrar e cair. Os agredidos praguejavam, largavam palavrões grosseiros; os agressores respondiam no mesmo tom. Porém, ninguém dava importância. Uma pessoa tem de desabafar de qualquer maneira, mormente se está cego. À frente deles, havia um rumor de passos e de vozes. Deviam de ser os emissários doutra camarata, que iam à mesma obrigação.
- Que situação a nossa, senhor doutor, disse. o primeiro cego. Já não nos bastava estarmos cegos, viemos cair nas garras de uns cegos ladrões. Até parece sina minha. Primeiro, foi o do carro, agora, estes, que roubam a comida, e ainda por cima de pistola.
- A diferença é essa, a arma.
- Mas os cartuchos não duram sempre.
- Nada dura sempre. Contudo, neste caso, talvez fosse de desejar que sim.
- Porquê? - Se os cartuchos vierem a acabar, será porque alguém os disparou, e nós já temos mortos de sobra.
- Estamos numa situação insustentável!
- É insustentável desde que aqui entrámos, e apesar disso vamo-nos aguentando.
- O senhor doutor é optimista...
- Optimista não sou, mas não posso imaginar nada pior do que o que estamos a viver.
- Pois eu estou desconfiado de que não há limites para o mau, para o mal.
- Talvez tenha razão, disse o médico.
E depois, como se estivesse a falar consigo mesmo:
«Alguma coisa vai ter de suceder aqui», conclusão esta que comporta uma certa contradição - ou há afinal algo pior do que isto, ou daqui para diante tudo vai melhorar, ainda que pela amostra o não pareça.
sábado, 20 de março de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
Juramento de bandeira
Juramento de bandeira
quinta-feira, 18 de março de 2010
Mia Couto ou a reinvenção da língua
“Infracção” cometida |
||
Na prefixação |
Na sufixação |
Na aglutinação |
subfície imover-se |
longear(-se) rodilhar |
imagináutica |
- Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
- No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
- A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
- O mato desconhecido é que é o anonimato?
- O pequeno viaduto é um abreviaduto?
- Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
- Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
- Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
- Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
- O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
- Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
- Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
- Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
- Mulher desdentada pode usar fio dental?
- A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
- As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
- Um tufão pequeno: um tufinho?
- O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
- Em águas doces alguém se pode salpicar?
- Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
- Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
- Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
- Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
- Escreviler: a arte de escrever e ler.
- Escrever (escre-ver) tem duas flexões: eu escrevo e eu escrevejo.
- Acariciar-se e ciciar ao mesmo tempo: acariciciar-se.
- O João namoraventurou-se com a Maria, isto é, aventurou-se a namorar com ela, lançou-se na aventura do namoro.
- Alguém que perde a voz ao topar num muro fica emudecido ou emurecido?
- E se, depois de se ter calado, voltar a falar, descala-se?
- Se o despertador tocar e eu continuar a dormir, não acordo, logo desacordo?
- Navegar devagar, com todo o vagar, não será navagar?
- O destino chama-se assim porque não tem tino?
- ...
Mia Couto ou a reinvenção da língua
“Infracção” cometida |
||
Na prefixação |
Na sufixação |
Na aglutinação |
subfície imover-se |
longear(-se) rodilhar |
imagináutica |
- Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?
- No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?
- A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?
- O mato desconhecido é que é o anonimato?
- O pequeno viaduto é um abreviaduto?
- Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.
- Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?
- Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?
- Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?
- O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?
- Onde se esgotou a água se deve dizer: "aquabou"?
- Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?
- Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?
- Mulher desdentada pode usar fio dental?
- A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?
- As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: "finanças"?
- Um tufão pequeno: um tufinho?
- O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?
- Em águas doces alguém se pode salpicar?
- Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?
- Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?
- Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?
- Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?
- Escreviler: a arte de escrever e ler.
- Escrever (escre-ver) tem duas flexões: eu escrevo e eu escrevejo.
- Acariciar-se e ciciar ao mesmo tempo: acariciciar-se.
- O João namoraventurou-se com a Maria, isto é, aventurou-se a namorar com ela, lançou-se na aventura do namoro.
- Alguém que perde a voz ao topar num muro fica emudecido ou emurecido?
- E se, depois de se ter calado, voltar a falar, descala-se?
- Se o despertador tocar e eu continuar a dormir, não acordo, logo desacordo?
- Navegar devagar, com todo o vagar, não será navagar?
- O destino chama-se assim porque não tem tino?
- ...
quarta-feira, 17 de março de 2010
Os vícios do regime
Imagem:
Tartufo
por wilber.elsalvador
http://farm4.static.flickr.com/3634/3639265638_0921e0b82a_m.jpg
Os vícios do regime
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Tartufo
por wilber.elsalvador
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quarta-feira, 10 de março de 2010
O accionista e o jornalista
Imagem:http://farm3.static.flickr.com/2693/4174592035_6d49249f4a_m.jpg
O accionista e o jornalista
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segunda-feira, 8 de março de 2010
Conselho de Administração
Conselho de Administração
domingo, 7 de março de 2010
O meu amigo Banco
O meu amigo Banco
sexta-feira, 5 de março de 2010
Corrigenda para o post de 2 de Março
Corrigenda para o post de 2 de Março
terça-feira, 2 de março de 2010
A corja
O resto é lembrança , de Albino Matos – ou: o resgate do passado Há títulos que são transparentes: Os Maias, A Casa Grande de Romarigã...
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O resto é lembrança , de Albino Matos – ou: o resgate do passado Há títulos que são transparentes: Os Maias, A Casa Grande de Romarigã...
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INDIANA , DE GEORGE SAND, OU O PRAZER DAS “BELLES-LETTRES” Grande parte da acção de Indiana decorre na outrora chamada Ilha Bourbon, ...