quarta-feira, 10 de março de 2010

O accionista e o jornalista

Ele há coisas!... Andam os pregoeiros da comunicação social livre e independente – verdadeiro pilar e ex-líbris do Estado de direito e da sociedade democrática – a tentar convencer-nos (muitas e muitas vezes com inegável êxito, diga-se de passagem) de que a dita comunicação social é sumamente livre e inquestionavelmente independente, eis senão quando Miguel Pais do Amaral, ex-patrão da TVI, vem declarar, com frontalidade, limpidez e cristalinidade capazes de fazerem inveja a Ignacio Ramonet, para já não dizer ao Avante!, que “o accionista não decide quem se deve entrevistar, mas decide o posicionamento [editorial] e o jornalista tem de interpretar. Se não está contente, vai para outro sítio.” (Público de hoje). Mesmo para quem nunca foi na cantiga da comunicação social livre, independente e blablá, sabe bem ouvir, por uma vez, da boca de um patrão, que quem manda é o Capital – e o jornalista, se não obedece, vai para a rua.

 


Imagem:http://farm3.static.flickr.com/2693/4174592035_6d49249f4a_m.jpg


 

Um comentário:

  1. e Infelizmente, são os próprios jornalistas que se autocensuram e alguns (muitos) que hipocritamente dizem haver liberdade de expressão. Só se for para noticiarem, opinarem, ostracizarem e deturparem ao serviço da vontade de quem lhes paga.

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