Hoje, fico-me por uma citação de Eça que me sugere este decalque: Revolução é sempre que um povo quer.
“É justamente nestas horas de festa íntima, quando pára por um momento o furioso galope do nosso egoísmo – que a alma se abre a sentimentos melhores de fraternidade e de simpatia universal e que a consciência da miséria em que se debatem tantos milhares de criaturas volta com uma amargura maior. Basta então ver uma pobre criança pasmada diante da vitrina de uma loja, e com os olhos em lágrimas para uma boneca de pataco, que ela nunca poderá apertar nos seus miseráveis braços – para que se chegue à fácil conclusão que isto é um mundo abominável. Deste sentimento nascem algumas caridades de Natal; mas, findas as consoadas, o egoísmo parte à desfilada, ninguém torna a pensar mais nos pobres, a não ser alguns revolucionários endurecidos, dignos do cárcere; e a miséria continua a gemer ao seu canto!”
Eça de Queiroz, “O Natal”, in Cartas de Inglaterra
The Martyring of Che Guevara
por Ben Heine, flickr.com
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